A carta

A carta

Atendemos toda a ala da oncologia da Santa Casa. Estávamos de saída até que veio uma mãe correndo dar o recado: o paciente queria falar com a gente urgentemente! Pois bem, estávamos frente a frente do pequeno menino e ele perguntou, com uma seriedade e uma voz que vinha lá do coração: “por que o Dr. Canhoto não está vindo mais?”. Dr. Rabisco e eu nos olhamos, respiramos e nos perguntamos em voz alta se faríamos essa revelação.

De repente, de supetão veio a resposta de Dr. Rabisco: “ele ficou de castigo”. Por fim, demos os detalhes e pedimos pra não espalhar essa fofoca por aí, mas era tarde, o povo escutou e espalhou a palavra. Só que na verdade, isso nem importava tanto. O que importava realmente era que o garoto queria comprar um presente para dar para o Dr. Canhoto, mas como é que o paciente menino ia fazer, se o Canhoto não estava indo mais lá no hospital?

Surgiu a ideia de escrever uma carta! O garoto ditava e a gente escrevia com nossos garranchos: “Dr. Canhoto, estou com muita saudade. Eu não vou poder mais comprar o seu presente porque você não está vindo mais. Então vou dar o presente pra Zabeinha entregar pra ver se você gosta”. A mãozinha onde havia o acesso segurou o caderno, e com a outra ele fez sua assinatura com letra de criança. Pegamos a cartinha e combinamos entregar para o doutor querido o mais logo que o encontrarmos. Mas não sei não, acho que só essa cartinha não vai acabar com essa saudade. Canhoto, sai do castigo e vai correndo lá na Santa Casa!

Texto: Dra. Rosa (Daniela Rosa)

Imagem: Fabiano Lana

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