Instituto Hahaha estreia a mostra “Território de Riso” e leva  as vivências da palhaçaria em espaços de saúde, educação, assistência e cultura para o público

Sete palhaços (as) conduzem o público a uma travessia artística composta por música, jogos, narração e interação, para contar os caminhos percorridos pelo projeto Ocupa Hahaha pelo Hospital da Baleia, EMEI Baleia, Kilombo Manzo Ngunzo Kaiango e CRAS Vila Fátima. A apresentação é gratuita e acontece dia 30 de maio, no Centro Cultural Vila Fátima.

No dia 30 de maio, às 16h, o Centro Cultural Vila Fátima, em Belo Horizonte, recebe o “Território de Riso”, mostra final do projeto Ocupa Hahaha. A iniciativa do Instituto Hahaha, executada com o fomento do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA-BH) da Prefeitura de Belo Horizonte – amplia a atuação da organização para além do ambiente hospitalar, transformando experiências vividas nos diferentes espaços comunitários do projeto em uma grande celebração coletiva. Gratuita, com classificação livre e acessibilidade em libras, a mostra reúne sete artistas da palhaçaria, em uma narrativa musical e interativa inspirada nos caminhos percorridos pelo projeto no Hospital da Baleia, na EMEI Baleia, no Kilombo Manzo Ngunzo Kaiango e no CRAS Vila Fátima.

A apresentação marca um momento inédito na trajetória do Instituto Hahaha, organização fundada em 2012 em Belo Horizonte com a missão de colocar o riso a serviço da vida por meio da arte da palhaçaria. Após mais de uma década de atuação contínua em hospitais, escolas, Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) e casas de acolhimento, o grupo dá um novo passo ao investir na atuação territorial. Criado em 2025, e sonhado desde a fundação do Instituto Hahaha, o projeto Ocupa Hahaha surgiu da inquietação de ampliar o conceito de cuidado para além das paredes hospitalares. A escolha do entorno do Hospital da Baleia como eixo central não foi aleatória, mas planejada. Ao perceber a potência da região ao redor da instituição, o Instituto sentiu que era o momento de expandir e experimentar o território como campo de atuação, e estruturou uma rede conectando saúde, educação, assistência social e cultura. 

“No caminho até o Hospital da Baleia, existe um percurso que vai além do deslocamento físico. Ao atravessar a Vila Fátima, encontramos um território vivo, pulsante, atravessado por histórias e relações. O projeto nasce justamente da pergunta: como fazer o cuidado ultrapassar os limites do hospital e dialogar diretamente com a comunidade? A resposta veio pela arte e pela palhaçaria. Então, fomos para a rua, para o CRAS, para o quilombo, para a escola. A mostra nasce dessa experiência: da vontade de contar, por meio da palhaçaria, o que acontece quando o riso encontra diferentes realidades no território”, explica Eliseu Custódio, coordenador do projeto e gestor de criação e formação artística do Instituto Hahaha. 

Segundo Custódio, a essência do Instituto está naquilo que denomina dramaturgia do encontro. “Nosso DNA é uma palhaçaria relacional. Tudo se constrói a partir do encontro com o outro e em diálogo direto com o contexto. Assim é no hospital, na escola, no quilombo, no CRAS e também será no Centro Cultural. Essa expansão nos desloca e nos transforma. Não se retorna ao ponto inicial depois de atravessar novas territorialidades”, destaca.

A mostra final do projeto Ocupa Hahaha “Território de Riso” sintetiza esse percurso em cena. Sete palhaços (as) conduzem o público por uma travessia artística composta por música, sob a direção musical de Gladson Braga, jogos, narração e interação direta com crianças e famílias. “O público vai assistir a uma tradução artística das experiências vividas no projeto. São situações inspiradas em encontros reais com crianças no hospital, visitas de casa em casa, brincadeiras na escola e festas no quilombo. É como se a realidade fosse reorganizada pela lógica da palhaçaria”, resume Fernando Oliveira.

A dinâmica cênica aposta na proximidade entre artistas e plateia. “A mostra conta a participação direta de crianças do território e de integrantes do Kilombo Manzo. A ideia é diminuir a distância entre palco e público, criando um ambiente de jogo coletivo. Especialmente o público infantil entra em cena, ocupa o espaço, participa das brincadeiras e ajuda a construir situações”, acrescenta o diretor.

O elenco é formado por Daniela Rosa (Rosa), Evandro Heringer (Repimboca), Karu (Lamparina), Laura Raízes (Macaxeira), Led Marques (Ledsom), Letícia DiCássia (Aurélia) e Vinicio Queiroz (Chouriço com Feitiço). Já a cenografia acompanha a proposta de ocupação e transformação do cotidiano. “O cenário é construído a partir de elementos simples e transformáveis, principalmente carteiras escolares, que viram casas, ruas, arquibancadas, leitos de hospital e estruturas de jogo. A lógica é a mesma do projeto: ocupar o espaço com o que está disponível e transformar por meio da ação artística”, explica Fernando Oliveira.

Além da dimensão artística, o projeto também fortaleceu articulações entre instituições do território. “O principal desafio foi respeitar as singularidades de cada espaço, que possui dinâmicas e necessidades muito distintas. Por isso, adotamos a escuta como princípio fundamental. Um grande aprendizado foi perceber o potencial do projeto como articulador de rede. Ao circular por esses diferentes espaços, o projeto Ocupa Hahaha também promove aproximações entre instituições que muitas vezes não dialogavam entre si”, ressalta Gyuliana Duarte, e gestora de Execução Artística.

Do ponto de vista institucional, a construção em parceria foi determinante para a sustentabilidade da iniciativa. “Essas parcerias são fundamentais porque o projeto não acontece de forma isolada. Ele se constrói a partir da articulação com o território, o que permite ampliar alcance, otimizar recursos e deixar resultados que permanecem mesmo após o término. Trabalhar em rede fortalece o impacto das ações e torna possível a realização de atividades gratuitas, descentralizando o acesso à cultura e chegando, de fato, à periferia”, diz a gestora Administrativa e Financeira do Instituto Hahaha, Elen Couto.

Mais do que um encerramento do projeto, “Território de Riso” aponta para novos horizontes do Instituto. “Esse projeto é um primeiro movimento nesse sentido. A ideia é continuar expandindo, fortalecendo redes e ocupando outros territórios, sempre a partir do encontro com instituições locais e com as crianças. O território não é só aonde a gente vai, é com quem a gente constrói”, diz  Fernando Oliveira. 

Em um cenário em que muitas comunidades enfrentam processos de invisibilização e fragilização de vínculos, a presença artística se torna um gesto político e afetivo, e este projeto é o manifesto da presença, conclui Eliseu Custódio.

Instituto Hahaha

O Instituto Hahaha é uma organização da sociedade civil (OSC) que promove a arte da palhaçaria em espaços de saúde,  educação e assistência. Com a missão de colocar o riso a serviço da vida, busca garantir o direito e acesso à arte e à cultura para crianças, adolescentes, adultos, pessoas idosas, seus familiares, profissionais de saúde e corpo técnico. Fundado em 2012  foi inspirado na primeira organização de palhaços médicos “Clown Care Unit” de Nova Iorque e com a expertise de cinco anos de atuação na organização Doutores da Alegria em Belo Horizonte. Além disso, é representante da sociedade civil no Conselho Municipal da Pessoa Idosa (CMI-BH) e do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA-BH) em Belo Horizonte. 

A instituição é reconhecida hoje com Prêmio de Gentileza Urbana pelo Conselho Estadual de Arquitetura de MG (2013), Condecoração de Honra ao Mérito pela Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte (2014), 2º Lugar na 3ª edição do Prêmio Pró-longevidade (2021), na categoria Pessoa Jurídica, pelas ações de promoção à saúde e bem-estar às pessoas idosas e Prêmio Amigos do Bairro de Santa Tereza pela Associação dos Amigos do Bairro Santa Tereza (2022).

Ficha técnica

Direção e dramaturgia da mostra: Fernando Oliveira
Assistência de direção: Rafael Protzner
Direção musical: Gladson Braga
Elenco:
Daniela Rosa (Rosa)
Evandro Heringer (Repimboca)
Karu (Lamparina)
Laura Raízes (Macaxeira)
Led Marques (Ledsom)
Letícia DiCássia (Aurélia)
Vinicio Queiroz (Chouriço com Feitiço)


SERVIÇO

Mostra “Território de Riso” – Projeto Ocupa Hahaha
Data: 30 de maio de 2026, às 16h
Local: Centro Cultural Vila Fátima
Endereço: Rua São Miguel Arcanjo, 215 – Nossa Senhora de Fátima, Belo Horizonte (MG)
Entrada: Gratuita
Acesse o flyer digital aqui.

Fotos: Carol Reis