ECA completa 36 anos e Instituto Hahaha celebra com apresentação do espetáculo “Tá no Estatuto!”

Palhaçaria, teatro e música abordam os direitos da criança e do adolescente, no mês em que o ECA completa 36 anos.

No mês em que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 36 anos (13 de julho), a arte da palhaçaria mira o riso para falar sobre os direitos da criança e do adolescente. O Instituto Hahaha – que em julho também celebra aniversário: 14 anos de história – apresenta o espetáculo de palhaçaria de rua “Tá no Estatuto!”, trabalho que aposta numa proposta lúdica e engraçada para destacar o tema da violação de direitos contra a infância e a adolescência, apresentando ao público os direitos previstos na principal legislação sobre o assunto. A montagem faz duas apresentações gratuitas, nos dias 4 e 5 de julho, sábado às 16h e domingo às 10h30, na Praça Duque de Caixas, no bairro Santa Tereza.

“É pelo viés da arte da palhaçaria e pelo teatro na rua que trazemos o ECA para o centro da roda. Precisamos intensificar o diálogo com a sociedade sobre a infância e a adolescência e acreditamos na arte e no riso como um caminho potente. Por isso, nestas apresentações, estamos comemorando os 36 anos do ECA e celebrando mais uma conquista para a garantia dos direitos de crianças e adolescentes: o ECA Digital, uma ferramenta que amplia o acesso ao Estatuto por meio das tecnologias digitais” diz Eliseu Custódio, co-fundador do Instituto Hahaha e conselheiro do CMDCA/BH .

Com texto e direção de Vinícius de Souza, a estrutura do espetáculo não se baseia em uma narrativa linear, mas em performances que envolvem música, dança, improviso e muita interação com o público. Dessa forma, explica Vinícius de Souza, “palhaços e palhaças apresentam-se seis capítulos do ECA, escolhidos a partir de um processo coletivo de criação.”

Com uma dramaturgia mais aberta e flexível, “Tá no Estatuto!” conta com vários quadros independentes, interligados por uma palhaça, a Dodote Bololô (Margareth Serra), que interpreta a organizadora de uma assembleia. No percurso, ela encontra convidados especiais e cada um, ao seu modo, explica um capítulo do estatuto. “É claro que existe um roteiro pré-estabelecido, mas em vários momentos os artistas têm liberdade para improvisar e jogar com a plateia. Mas esses improvisos não são aleatórios, partem de estudos sobre o ECA que foram desenvolvidos por todos, para o espetáculo. O repertório é imenso, mas a todo o momento, tanto na dramaturgia quanto na direção, trabalhamos de forma que a estrutura da montagem não restrinja a espontaneidade dos palhaços”, diz Vinícius de Souza.

Gyuliana Duarte, gestora de execução artística e co-fundadora do Instituto Hahaha, Gyuliana Duarte, conta sobre a originalidade que marcou a concepção de “Tá no Estatuto!” “Cada palhaço recebeu um capítulo e teve de dar conta dele. Assim, cada um está investindo numa linguagem, que parte da própria experiência como artista. Tem alguns que estão explicando o capítulo pelo desenho, outros por uma conversa informal, ou por um humor bem delirante.”

A música também é um elemento importante na construção do espetáculo. A direção de Gladson Braga investe na imaginação e criatividade, no sentido de criar ambientes para os textos e trazer um pouco da comicidade, por meio dos sons dos instrumentos e das composições do grupo. “A proposta musical vem do que reflete cada personagem. Para cada movimento do palhaço e da palhaça, eu criei sonoridades. E a própria improvisação traz muitas sonoridades diferentes, que não são consideradas musicais, como ruído, o timbre ….”, explica Gladson Braga. O diretor musical conta que existe um refrão que se repete, mas o resto está quase tudo sendo improvisado. “Porque eles também irão improvisar a partir dos elementos da plateia.”

Assinado por Marcos Hill, o figurino também inova ao escapar da clássica roupa de palhaço, para dar um ar mais urbano e adolescente à produção. O cenário, criado por Luiz Dias, segue a mesma proposta, ao trabalhar com elementos que unem a palhaçaria ao mundo da criança e do adolescente.

Contando com a parceria do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), o tema do espetáculo é oportuno, e vai ao encontro da trajetória do Instituto Hahaha, uma organização que há 14 anos vem promovendo a arte da palhaçaria e espalhando o riso em espaços de saúde e vulnerabilidade social. “Sentimos a necessidade de trazer as leis que regem o ECA, que desde 1990, quando foram criadas, estão tão engessadas no papel, para uma produção artística que chegue às ruas da cidade”, afirma Gyuliana Duarte.

“O Hahaha tem uma presença continuada na construção de políticas públicas para crianças e adolescentes do município de Belo Horizonte. Por meio do trabalho de palhaçaria nos hospitais, garantimos o direito e acesso à arte e cultura. E não para por aí: somos entidade conselheira no Conselho Municipal dos Direitos de Crianças e Adolescentes (CMDCA), estamos juntos a outras entidades da sociedade civil e poder público na luta e defesa dos direitos das crianças e adolescentes”, diz Eliseu Custódio.

Para Nádia Costa, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA/BH), a proteção integral prevista no ECA também se constrói por meio da educação, da cultura e da participação social. “Ao utilizar a arte, o humor e a linguagem acessível, o espetáculo aproxima o Estatuto da Criança e do Adolescente da população, contribuindo para a disseminação de informações e para o fortalecimento da cultura de garantia de direitos. Por isso, é uma alegria ver projetos como este alcançando crianças, adolescentes, famílias e comunidades, promovendo reflexão, conhecimento e cidadania. Parabenizamos o Instituto Hahaha pela realização do espetáculo e reafirmamos o compromisso do CMDCA/BH com o fortalecimento de iniciativas que contribuam para que os direitos de crianças e adolescentes sejam cada vez mais conhecidos, respeitados e efetivados”, sublinha Nádia. Ela completa que iniciativas como o espetáculo “Tá no Estatuto” demonstram como os recursos do Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente podem ser transformados em ações concretas de promoção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes.

O espetáculo “Tá no Estatuto!” foi montado em 2025 e desde então já circulou pelas nove regionais de Belo Horizonte, com apresentações gratuitas em parques e praças públicas: Praça Floriano Peixoto (Regional Leste); Praça José Verano — conhecida como Praça da Febem (Regional Barreiro); Praça da Assembleia/Carlos Chagas (Regional Centro-Sul); Parque Jornalista Eduardo Couri/ Barragem Santa Lúcia (Regional Centro-Sul); Praça do Encontro (Regional Venda Nova); Parque Municipal Américo Renné Giannetti (Regional Centro-Sul); e Praça Duque de Caxias (Regional Leste).
O espetáculo também se apresentou em seis escolas: Escola Municipal Salgado Filho (Regional Oeste); a Escola Estadual Inês Geralda de Oliveira (Regional Norte); a Escola Municipal Israel Pinheiro (Regional Leste); Escola Estadual Anita Brina Brandão (Regional Pampulha); Escola Estadual Maria de Lourdes de Oliveira (Regional Nordeste); Escola Municipal Dom Bosco (Regional Noroeste); e Escola Estadual Celso Machado (Regional Barreiro).

O projeto “Hahaha e ECA – Direitos garantidos” é executado com fomento do Fundo Municipal
dos Direitos da Criança e do Adolescente da Prefeitura de Belo Horizonte, com patrocínio Master da Vale, patrocínio Instituto Unimed-BH, Cemig, Hypofarma, Loja Elétrica, Supermix Concreto, Tambasa e Vaccinar.

Instituto Hahaha
O Instituto Hahaha é uma organização da sociedade civil (OSC) que promove a arte da palhaçaria em espaços de saúde, educação e assistência. Com a missão de colocar o riso a serviço da vida, busca garantir o direito e acesso à arte e à cultura para crianças, adolescentes, adultos, pessoas idosas, seus familiares, profissionais de saúde e corpo técnico.
Fundado em 2012 foi inspirado na primeira organização de palhaços médicos “Clown Care Unit” de Nova Iorque e com a expertise de cinco anos de atuação na organização Doutores da Alegria em Belo Horizonte. Além disso, é representante da sociedade civil no Conselho Municipal da Pessoa Idosa (CMI-BH) e do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCA-BH) em Belo Horizonte.
A instituição é reconhecida hoje com Prêmio de Gentileza Urbana pelo Conselho Estadual de Arquitetura de MG (2013), Condecoração de Honra ao Mérito pela Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte (2014), 2º Lugar na 3ª edição do Prêmio Pró-longevidade (2021), na categoria Pessoa Jurídica, pelas ações de promoção à saúde e bem-estar às pessoas idosas e Prêmio Amigos do Bairro de Santa Tereza pela Associação dos Amigos do Bairro Santa Tereza (2022).

SERVIÇO:
Estreia espetáculo “Tá no Estatuto!”
Dias 4 e 5 de julho, sábado às 16h e domingo às 10h30
Praça Duque de Caxias – Bairro Santa Tereza
Gratuito – Sem a necessidade de retirar ingresso

Ficha técnica “Tá no Estatuto”
Coordenação geral: Gyuliana Duarte, Elen Couto, Eliseu Custódio
Direção Geral e dramaturgia: Vinicius de Souza
Assistente de Direção: Daniela Rosa
Direção Musical: Gladson Braga
Preparação Vocal: Ana Hadad
Elenco:
Letícia DiCássia – Palhaça Aurélia
Ana Carolina Siqueira – Palhaça Sikera
Led Marques – Palhaço Ledson Cambaiota
Margareth Serra – Palhaça Dodote
Marcus Carvalho – Palhaço Pinga
Vinicio Queiroz – Palhaço Chouriço com Feitiço
Musicistas: Gladson Braga, Raissa Uchôa, Laura Raizes
Figurino: Marcos Hill
Assistente de figurino: Vanessa Santos
Costura: Maria Lucas, Maria Guiomar
Customização: CRAVA Ateliê
Cenário: Luiz Dias
Assistente de cenário: Caroline Manso
Cenotécnicos: Helvécio Isabel, Leonardo Caetano, Pedro Jacinto Neto, Geraldo Alves Isabel.
Produção: Millena Muniz
Assistente de Produção: Bárbara Sill
Coordenação de comunicação: Roberta Nunes
Arte gráfica: Filipe Lampejo e Rita Davis
Design: Bruno Oliveira
Redes Sociais: Isabela Lisboa
Assessoria de imprensa: CS Comunicação e Arte